ECHOES

Uma foto de orangotangos órfãos atravessando uma corda, capturada na ilha Bornéu. Uma foto de orangotangos órfãos atravessando uma corda, capturada na ilha Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R, Zeiss Sonnar T* FE 55 mm F1.8 ZA, F1.8, 1/5000 s, ISO 800 ECHOES Vol.1

ECHOES Vol.1

Encontros na ilha e as reflexões de um fotógrafo

25/03/2024

Yosuke Kashiwakura, fotógrafo da vida selvagem

Pensando coletivamente sobre o ambiente global por meio de entrevistas com criadores que trabalhem no ambiente. Yosuke Kashiwakura, fotógrafo de vida selvagem que transmite a beleza da natureza e uma mensagem sobre proteção do meio ambiente global, usando paisagens naturais, fauna e flora como seu objetos. Kashiwakura explora a conexão entre a fotografia e a sustentabilidade por meio das histórias das suas próprias experiências na Ilha de Bornéu e na Ilha de Rebun.

Retrato de um entrevistador

Yosuke Kashiwakura

Fotógrafo da vida selvagem
Nascido em 1978. Divide sua tempo entre sua casa na prefeitura de Kanagawa e a Ilha de Rebun, em Hokkaido, Japão, capturando paisagens naturais. Dentre outros espaços, seu trabalhos já foram exibidos no Museu Nacional Smithsonian de História Natural nos EUA, o Museu de História Natural de Londres e a conferência da Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas. Ele já recebeu os principais prêmios de fotografia internacional do concurso Fotográfico Internacional da National Geographic, o prêmio Fotógrafo do Ano Vidas Selvagens e o LensCulture. Em março de 2024, publicou um livro em formato de fotodocumentário sobre os filhotes de orangotango na Ilha de Bornéu, intitulado "Back to the Wild: The Orangutans Who Lost their Forest" (“De volta ao passado: os orangotangos que perderam sua floresta”, em tradução literal para o português).
 

Índice

Destruição ambiental observada na Ilha de Bornéu

Foto de Kashiwakura feita durante esta entrevista

O que fez você decidir fotografar o ambiente natural de maneira consciente?

Mais de 15 anos atrás, participei de uma expedição organizada por um grupo de preservação ambiental para fazer fotos de uma ilha no sudeste asiático, a Ilha de Bornéu, para uma revista. Descendo o longo e famoso Rio Kinabatangan de bote, fotografei orangotangos, elefantes, macacos-narigudos e outros animais que apareciam nas florestas ao redor. Eu estava tão empolgado fazendo essas fotos que o presidente de um grupo de preservação ambiental chegou para mim e perguntou: "Você sabe por que tantos animais aparecem aqui?" Eu respondi que não. Então, ele me explicou que as pessoas estavam cultivando plantações de palmeira do outro lado da mata que se estendia até o fim da ilha. Ele me disse que os animais selvagens estavam sendo levados para as florestas que foram deixadas para trás, razão pela qual a densidade de animais era tão alta que eu podia tirar fotos deles juntos.

Macacos-narigudos fotografados na Ilha de Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R III, FE 100-400 mm F4.5-5.6 GM OSS, F5.6, 1/640 s, ISO 800
Macacos-narigudos fotografados na Ilha de Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R III, FE 100-400 mm F4.5-5.6 GM OSS, F5.6, 1/1600 s, ISO 2000

Depois de ouvir essas palavras, fiquei extremamente constrangido de fotografar com tanta empolgação. Ainda me lembro de como me senti naquele momento. Foi então que comecei a questionar se eu havia mesmo feito a escolha certa de capturar somente as imagens atrativas. No dia seguinte, visitamos o Centro de Reabilitação de Orangotangos, onde os filhotes eram cuidados depois de terem perdido suas mães. Fiquei impressionado com a imagem dos orangotangos sendo pacientemente treinados por seres humanos, para poderem ser inseridos nas matas novamente, como resultado do desmatamento. Foi isso que me inspirou a continuar fotografando esses filhotes como objetos das minhas capturas, porque senti que eu precisava fazer algo para apoiar essa causa. Quando pedimos autorização para fazer fotos no local de maneira contínua, o presidente do grupo de preservação ambiental me ajudou a conseguir essa permissão. Então, fiquei ali com os orangotangos por cerca de um mês, fotografando.

Você já descobriu alguma novidade desde quando começou a fotografar os orangotangos?

A floresta tropical da Ilha de Bornéu, que era considerada um tesouro de biodiversidade, quase desapareceu. Seu lugar agora é ocupado por imensas plantações de palmeiras para a extração do óleo. Os animais que viviam ali não tinham mais para onde ir. Esses filhotes de orangotango foram capturados e afastados das suas mães quando a floresta foi destruída. Geralmente, filhotes de orangotango se agarram ao corpo da mãe para saber o que seus pais comem e aprender a sobreviver no topo das árvores para se protegerem dos predadores. Contudo, os filhotes não conseguem aprender como viver na floresta sem suas mães. Eles precisam ser treinados em um centro de reabilitação, pois essa seria a única maneira de conseguirem recuperar a capacidade de sobreviver na floresta. Para piorar, ainda existem as mudanças ambientais geradas pelas alterações climáticas. Assim, a terrível situação das espécies em risco de extinção, provavelmente, ficará ainda pior.

Foto de orangotangos órfãos brincando de se pendurarem em uma corda esticada. Captura feita na Ilha de Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R, Zeiss Sonnar T* FE 55 mm F1.8 ZA, F1.8, 1/5000 s, ISO 800
Foto de orangotangos órfãos brincando de se pendurarem em uma corda esticada. Captura feita na Ilha de Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R, Zeiss Sonnar T* FE 55 mm F1.8 ZA, F1.8, 1/50 s, ISO 1600
Foto de orangotangos órfãos brincando de se pendurarem em uma corda esticada. Captura feita na Ilha de Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R, Zeiss Sonnar T* FE 55 mm F1.8 ZA, F1.8, 1/320 s, ISO 800

Quais são seus planos para comunicar ao mundo o que está acontecendo da Ilha de Bornéu?

Bem, as florestas do mundo todo estão sumindo. Na Ilha de Bornéu, o cultivo de óleo de palma se dá em plantações infindáveis, o que, para mim, é um cenário muito destrutivo. Passei a enxergar essa situação como se fosse a ação de um tsunami. As plantações de palmeiras produzidas por mãos humanas foram entrando aos poucos na extensão do continente, como uma onda, e as florestas tropicais foram sumindo. Chamo esse processo de "Tsunami verde", e fotografo essa paisagem aterrorizante para, mais uma vez, fazer com que as pessoas não se esqueçam dos possíveis impactos do desmatamento.

Aprendendo o valor de sermos gratos pelas coisas como elas são, na Ilha de Rebun

Como você encontrou sua outra base de operações, a Ilha de Rebun?

Tudo começou quando escalei o Monte Rishiri, na Ilha de Rishiri, com Kanae Minato, roteirista e autora original de "Kita no Kanaria-tachi" ["Um coro de anjos", na tradução literal para o português], um filme que se passa na Ilha de Rebun. Quando Minato disse, "A Ilha de Rebun, aqui ao lado, também é maravilhosa", fiquei curioso e fui conhecê-la em outro momento. Subindo até a área de observação mais ao norte na Ilha de Rebun, virei-me para olhar a paisagem e fiquei impressionado pela beleza fantástica daquela vista. E foi assim que me apaixonai pela ilha. Descobri que havia uma comunidade na região, então imaginei que pudesse haver algum casa disponível para eu me hospedar. Pesquisando na Internet, descobri que havia somente uma casa disponível na comunidade. Posteriormente, o proprietário da casa a transferiu para mim. Eu reformei a casa sozinho e construí uma base de operações para que eu pudesse viver e fotografar na Ilha de Rebun.

Foto de uma extensão de terra sobre o mar na Ilha de Rebun.
©Yosuke Kashiwakura α7R IV, FE 24-70 mm F2.8 GM II, F8, 1/160 s, ISO 100
Foto de uma paisagem costeira da Ilha de Rebun.
©Yosuke Kashiwakura α7R IV, FE 20 mm F1.8 G, F11, 1/800 s, ISO 400

Na Ilha de Rebun, qual é o tema que você captura?

A princípio, eu não queria divulgar nada disso, e só queria capturar as imagens com calma. Mas o céu estrelado é inacreditavelmente belo, e as paisagens durante o dia são simples e pitorescas. Aos pouco, fui sentindo vontade de compartilhar essa beleza e de criar uma área preservada e com certificação de local de céu escuro internacional ("International Dark Sky Place"*). A Ilha de Rebun contém mais de 300 espécies de plantas alpinas que entram em florada, mas que raramente atraem visitantes, exceto na primavera e no verão. Espero que todos os tipos de pessoas visitem este lugar durante o ano todo e que este se torne um lugar em que as pessoas possam vir para simplesmente apreciar o céu estrelado com tranquilidade. Se mais pessoas começarem a visitar a ilha, o turismo excessivo pode trazer problemas para a natureza local. Por isso, meu objetivo é entender como construir um ambiente em que as pessoas possam coexistir com a natureza.

Foto de um céu estrelado na Ilha de Rebun.
©Yosuke Kashiwakura α7R IV, FE 20 mm F1.8 G, F1.8, 15.00 s, ISO 3200

Qual é sua motivação para trabalhar na criação de um local internacional sem iluminação artificial ("International Dark Sky Place")?

Com tantos edifícios construídos em todo o país, enchendo a cidade de luzes mais intensas do que as das estrelas, a gente ficou sem conseguir ver as estrelas no céu, não é mesmo? Os céus podem voltar a ficar estrelados se simplesmente controlarmos a direção das luzes. Percebemos que há um movimento de criação de novos parque temáticos para fortalecer a economia regional. Mas na minha opinião, é mais importante restaurar o que já estava lá originalmente. Acho que todas as cidades ficarão atrativas quando nos concentrarmos na beleza local da região, mesmo que não haja nada de novo a ser construído. Quero valorizar a mudança rumo à valorização das coisas como elas são.

Foto de uma foca em água rasa. Captura feita na Ilha de Rebun.
©Yosuke Kashiwakura α7R IV, FE 100-400 mm F4.5-5.6 GM OSS, F11, 1/400 s, ISO 400

É importante que os jovens se sintam especialmente interessados nas questões ambientais e de sustentabilidade. Com base no seu trabalho, o que você gostaria de compartilhar conosco sobre como as pessoas podem contribuir para isso?

Eu já vinha procurando por algo que pudesse ser feito com os jovens. Relembrando da minha cidade natal, pensei nos campos e nas montanhas atrás da minha casa, e nas paisagens originais que eu adoro. Fazer parte de um grande movimento ambiental global também é importante, mas o que podemos fazer de imediato é compreender o que está acontecendo no local e protegê-lo corretamente. Conforme for aumentando a quantidade de pessoas, 100, 10.000, 1.000.000, o esforço de preservação ambiental também aumentará de modo impressionante.

Como você gostaria de promover a importância do ambiente global nas suas atividades futuras?

Quero entrevistar pessoas que gostem de se aventurar e explorar a natureza, e os guias locais, que vivenciam as mudanças no ambiente global. Quero apresentar o que eles sentem e o que têm a dizer sobre o ambiente global da maneira mais clara possível. Quero saber o que as pessoas que vivem na linha de frente das mudanças ambientais realmente pensam.

*Um certificado concedido aos locais que fazem esforços excepcionais para proteger e preservar áreas de céu noturno escuro e natural, longe da polução luminosa.

Foto mostrando toda a extensão de terra coberta por plantações de palmeiras para a extração do óleo. Ilha de Bornéu.
©Yosuke Kashiwakura α7R III, FE 24-70 mm F2.8 GM, F8, 1/2000 s, ISO 800
Foto de árvores no meio da neblina. Captura feita na Ilha de Rebun.
©Yosuke Kashiwakura α7R II, FE 100-400 mm F4.5-5.6 GM OSS, F11, 1/800 s, ISO 800

Iniciativas da Sony para preservar o meio ambiente.

Tomando decisões que não contradizem seu compromisso de fotógrafo da vida selvagem

Eu gosto da abordagem ambiental da Sony na fabricação de suas câmeras. A Sony usa uma matéria-prima própria à base de plástico reciclado e evita usar produtos químicos sempre que possível. Inicialmente, fiquei hesitante quanto ao uso dos materiais reciclados, imaginando que poderiam resultar em especificações de menor qualidade. Mas quando peguei nas minhas mãos a câmera finalizada, essas inseguranças foram embora por completo. A câmera é resistente a sujeira e a respingos, e sua performance não é prejudicada, apesar da estrutura compacta. Tenho uma confiança inegável na série Alpha. A Sony produz câmeras resistentes, sem se esquecer do meio ambiente. Eu acredito na sustentabilidade e na fabricação dos produtos da Sony. (Kashiwakura)

Diagrama do sistema de reciclagem, mostrando a conversão dos resíduos plásticos em SORPLAS por meio do uso dos produtos da Sony.

Uso de plástico reciclado pela Sony e demais considerações ambientais em seus produtos

A Sony fabrica seus produtos sem se esquecer do meio ambiente

Equipamentos de câmera usados por Kashiwakura

Entrevista: Shota Kato(NA MONTANHA)
Fotografia: Yukitaka Amemiya(entrevista)