Créditos da imagem — (da esquerda para a direita):
© Florence Goupil, Perú, 1º lugar, Prêmio Profissional da América Latina - LAPA, Sony World Photography Awards 2025
© Nicolas Garrido Huguet, Perú, 2º lugar, Prêmio Profissional da América Latina - LAPA, Sony World Photography Awards 2025 © Mauricio Holc, Argentina, 3º lugar, Prêmio Profissional da América Latina - LAPA, Sony World Photography Awards 2025
© Mauricio Holc, Argentina, 3º lugar, Prêmio Profissional da América Latina - LAPA, Sony World Photography Awards 2025
Os resultados do Prêmio Profissional da América Latina no Sony World Photography Awards, um reconhecimento que celebra a série fotográfica mais notável feita por fotógrafos na região, foram anunciados.
Nesta edição, o primeiro lugar foi concedido à fotógrafa peruana Florence Goupil por sua impressionante série “Whisper of the Maize”, um projeto que documenta a perseverança das comunidades indígenas Quechua, Wari, Nahua, Otomi e Wanka na proteção de mais de 119 variedades de milho no Perú e no México.
Primeiro lugar: “Whisper of the Maize”, de Florence Goupil (Perú)
O esforço para conservar mais de 54 variedades de milho no Perú e 65 no México já dura mais de 7.500 anos. As comunidades indígenas da região mantêm práticas agrícolas antigas que não só garantem a preservação dessas plantações, mas também salvaguardam um legado espiritual e cultural inestimável.
Cada variedade de milho, com sua própria forma, cor e significado, é muito mais do que um alimento: é um elemento central nos rituais pré-colombianos que ainda são praticados hoje. Essas sementes sagradas são oferecidas à Terra em cerimônias de cura e ação de graças. Como diz Magdalena, uma velha dos Andes: “Plantamos as sementes com o poder da música”.
Além de serem guardiãs do milho, essas comunidades desenvolveram soluções inovadoras para mudanças climáticas e secas extremas. Por meio de gestos cuidadosos, cantos e poesias, eles expressam uma profunda conexão com a natureza e buscam curar a Terra.
Segundo lugar: “Alquimia têxtil” de Nicolás Garrido Huguet (Perú)
Em colaboração com a pesquisadora e estilista María Lucía Muñoz, o fotógrafo Nicolás Garrido Huguet apresenta “Textile Alquimia”, um projeto que revela as técnicas naturais de tingimento usadas pelos artesãos de Pumaqwasin em Chinchero, Cusco.
Essa tradição milenar, que exige horas de trabalho meticuloso, corre o risco de desaparecer devido ao avanço dos métodos industriais e ao impacto das mudanças climáticas nas plantas necessárias para esses processos. A série fotográfica destaca o uso de três tipos de corantes naturais: qolle (Buddleja coriacea), cujas flores produzem tons de amarelo; ch'illka (Baccharis sp.), que gera as cores ocre e verde; e cochonilha (Dactylopius coccus), um inseto andino que produz uma rica variedade de vermelhos, vermelhos e roxos.
Terceiro lugar: “Yvy-Mara Ey (Terra sem mal)”, de Mauricio Holc (Argentina) A série “Yvy-Mara Ey” documenta
a vida da comunidade indígena Mbyá Guarani em Tekoa El Chapá, Misiones, Argentina. Os Guaranis Mbyá habitam o sul do Brasil, partes do Paraguai e nordeste da Argentina, mantendo uma visão de mundo na qual a terra e o ser humano são uma extensão inseparável de seu meio ambiente.
Seu modo de vida tradicional, conhecido como “tekoa”, é baseado na prática da agricultura, caça, pesca e espiritualidade em harmonia com a natureza. Para eles, o conceito de comunidade é essencial para a sobrevivência, e sua história é transmitida exclusivamente por meio da memória coletiva. A série de Holc captura essa profunda conexão com a terra e a identidade cultural que a define.
O trabalho de Florence Goupil, vencedora do Prêmio Profissional da América Latina, será exibido no Sony World Photography Awards 2025, que acontecerá de 17 de abril a 5 de maio em Londres. Esse reconhecimento não só celebra a excelência fotográfica na região, mas também destaca a importância da fotografia como ferramenta de preservação cultural e social.